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MANGUALDE "recordar"

Mangualde, no distrito de Viseu, Beira alta, Portugal, cujo foral foi concedido em 1102 pelo Conde D. Henrique. ( todo o conteúdo do blogue é divulgação de pesquisa e não autoria de "MANGUALDE"recordar" )

MANGUALDE "recordar"

Mangualde, no distrito de Viseu, Beira alta, Portugal, cujo foral foi concedido em 1102 pelo Conde D. Henrique. ( todo o conteúdo do blogue é divulgação de pesquisa e não autoria de "MANGUALDE"recordar" )

Ceifas, malhas e desfolhadas

O milho grosso, introduzido em Portugal no século XVI,  foi-se difundindo por todo o país, mais rapidamente numas que noutras regiões. É de crer que cedo tivesse subido os vales do Mondego e do Dão, mas só a partir do século XVIII se começou a generalizar o seu cultivo.

 

 é tradicional  a cultura dos cereais de pragana. Desde muito cedo, talvez desde o Neolítico Peninsular, que aqui se cultiva o trigo, o centeio e a cevada, indispensável à fabricação do pão que, com a castanha, constituíram, durante muitos séculos, a base da alimentação das gentes desta região.

Nos últimos dois séculos, porém, a base alimentar do beirão sofreu gradualmente significativa alteração. Assim, enquanto que os cereais de pragana cederam parte do seu papel alimentar a um outro cereal novo — o milho grosso de maçaroca — a castanha foi substituída pela batata.

 

 

por volta dos anos sessenta, todo este trabalho era feito pelo braço das ceifeiras, ceifeiros e malhadores.

 

 

Além dos cereais, ceifa-se também a erva de semente, deixada crescer nos lameiros para garantir a sementeira dos pastos do ano que vem e ainda a erva para a manjedoura do gado e o feno para o Inverno. A erva de semente é ceifada antes de secar completamente para que se não debulhe ao ceifar e, em seguida, é atada em molhinhos que, pela sua semelhança com uma figura de mulher sentada no chão, ao serem postos na vertical, são chamados «meninas» ou «bonecas».

 

 

Uma vez criado o cereal, homens e mulheres, vergados sob sol ardente, empunhando seitoiras (foices) e delineando o eito de acordo com o número de ceifeiros, atacavam decididamente a seara. Nas últimas décadas, a par da seitoira, passou também a usar-se a gadanha. É uma folha de aço meio curva e muito bem afiada, munida dum cabo da altura do ceifador que permite ao gadanheiro segar de pé, agarrando com a mão esquerda na ponta do cabo e, com a direita, numa pequena mãozinha cravada transversalmente ao meio do cabo. Atrás, alguns homens iam atando com vincelhos o cereal ceifado em molhos que depois se dispunham cuidadosamente em montes, construídos de forma cónica, de modo a que o cereal fosse secando pela sua disposição ao sol e, ao mesmo tempo, ficasse protegido contra os eventuais aguaceiros da época. A estes amontoados de molhos de cereal chama-se na região rolheiros, se contêm menos de uma dúzia de molhos, e medas, se o monte é maior, comportando, por vezes, várias dezenas de molhos.

 

 

malha.JPG

 Malha do cereal de pragana

 

segar_o_milho.jpg

 Ceifa do milho

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